Construção Civil Indústria Manutenção Predial

Tipos de EPI: saiba quais são e suas funções

Escrito por flavaccaro

Segundo dados divulgados pelo Governo Federal, em cinco anos, o Brasil registrou uma média anual de 710 mil acidentes de trabalho, 2.810 mortes e 15 mil trabalhadores permanentemente incapacitados. Esses números são resultado direto da negligência, falta de instrução e não utilização ou ausência de EPI (Equipamentos de Proteção Individual).

banner com equipamentos de proteção individual

Mas não basta apenas adquirir esses materiais para prevenir acidentes. É necessário entender como funcionam os diversos tipos de EPI para adequar o seu uso a cada atividade.

Por isso, preparamos este post para ajudar você a entender como funcionam os EPIs e por que é importante utilizá-los. Confira!

tipos de epi e suas funções no ambiente de trabalho

A importância do EPI na empresa

Os equipamentos de proteção individual são fundamentais porque exercem a função de proteger o trabalhador ao longo da sua jornada de trabalho. Dessa forma, a empresa contribui para elevar o nível de segurança dos seus funcionários. No entanto, não é apenas o trabalhador que sai ganhando.

Ao investir no uso de EPIs, a organização está cumprindo a legislação trabalhista, protegendo-se então de possíveis multas e indenizações. Lembre-se de que ter um funcionário acidentado pode obrigar os gestores a prestar contas nas esferas civil, trabalhista, previdenciária e até criminal.

Além disso, a companhia que não investe em segurança pode fazer sua marca perder credibilidade por associá-la a acidentes e à falta de comprometimento com o trabalhador. Com isso, pode ficar mais difícil atrair bons profissionais, investidores e parceiros.

Somente promovendo o uso de EPIs no local de trabalho será possível prevenir os funcionários contra acidentes e as chamadas “doenças ocupacionais”, que podem fazer o trabalhador perder sua qualidade de vida. Então, vamos conhecer os tipos de EPI e suas aplicações!

Os tipos de EPI e suas funções

Os equipamentos de proteção individual são agrupados conforme a região do corpo que protegem.

Proteção da cabeça e face

Para essa zona corporal, usam-se capacetes. Existem basicamente dois modelos:

  • com aba frontal ou total: são usados para manter a cabeça do trabalhador protegida contra colisões em casos de queda ou impacto de objetos, queimaduras, sol e choques elétricos;
  • com aba frontal ou total e viseira: protege tanto a cabeça quanto o rosto do funcionário em tarefas que o expõem a partículas e a outros agentes nocivos, como esmerilhamento e soldagem.

Além dos capacetes, há também o protetor facial. Ele é responsável por proteger a face contra poeiras, respingos de agentes químicos, impactos e radiações ópticas. Possui uma viseira articulada, que pode ser transparente, aluminizados, em materiais termoplásticos e em tonalidades específicas, dependendo da atividade realizada.

Os protetores faciais são recomendados para funcionários que trabalham com o risco de projeção de partículas, como:

  • equipamentos em serralherias e madeireiras;
  • no setor de bebidas;
  • atividades relativas à apicultura;
  • riscos biológicos ou químicos.

Proteção de olhos

Neste caso, são usados óculos de segurança. Eles possuem características diversas, dependendo da atividade profissional em questão. Sua função básica é resguardar os olhos do funcionário contra o impacto de objetos e a emissão dos raios ultravioletas.

Entre as tarefas que exigem o uso desse EPI, estão a manipulação de:

  • solda;
  • vidro;
  • madeira;
  • aço;
  • materiais biológicos;
  • radiação.

Proteção dos ouvidos

Os protetores auriculares e abafadores de ruído são equipamentos necessários quando o trabalhador fica exposto a ruídos que ultrapassam 85 decibéis — no entanto, podem ser recomendados quando forem registrados ruídos acima de 50 decibéis.

Existem pelo menos dois modelos:

  • plug ou de inserção: é introduzido no ouvido e, por isso, é o menor e o que exige mais cuidados (por exemplo, deve ser higienizado adequadamente, sendo necessário retirar as luvas para colocá-lo ou retirá-lo do ouvido);
  • concha: é o mais comum, o mais fácil de transportar e o mais difícil de perder.

Algumas atividades que exigem o uso de equipamentos para proteção dos ouvidos são:

  • com uso de furadeiras, britadeiras e outras máquinas do gênero;
  • em tarefas realizadas próximas a turbinas de avião;
  • nas atividades em hangares e portos.

Proteção respiratória

Os protetores respiratórios podem proteger o trabalhador do efeito nocivo de gases, poeira, névoas e outras substâncias alérgenas, tóxicas ou irritantes que estejam espalhadas pelo ar. Também são usados em locais com deficiência de oxigênio.

Consistem basicamente em uma peça que cobre a boca e o nariz, mas podem ser encontrados também em forma de máscara, cobrindo assim o rosto inteiro. Neste último caso, o respirador é geralmente usado em locais com grande concentração de gases contaminantes.

Existem, portanto, dois modelos:

  • purificador de ar (descartável ou com filtro);
  • respirador para receber ar puro de um botijão de oxigênio, por exemplo.

Por exemplo, as máscaras 3M, descartáveis ou não, são encontradas em diferentes modelos, direcionadas para atividades diversas, como:

  • vapores químicos e orgânicos;
  • massa corrida e atividades de lixamento e acabamento;
  • fuligens;
  • partículas volantes.

É importante buscar equipamentos de proteção respiratória de qualidade. Para isso, alguns cuidados envolvem verificar se a marca oferece o teste gratuito da respiração fit — ou ensaio de vedação —, para constatar se, por exemplo, a máscara:

  • está de acordo com o tamanho do rosto dos profissionais;
  • realmente filtra aquele químico específico.

No teste, utiliza-se um nebulizador para pulverizar uma solução específica (doce ou amarga) no ambiente onde o usuário está utilizando a máscara. Caso ele não sinta o gosto da substância, o respirador é considerado aceitável.

Por meio dessa e outras avaliações, será possível adequar o EPI à realidade de cada empresa e cada trabalhador.

Proteção dos membros superiores

Aqui, encontramos as luvas de segurança, que protegem mãos e braços contra choques elétricos, queimaduras, congelamento, cortes e qualquer outro tipo de material nocivo ao trabalhador.

Entre os modelos mais utilizados, encontramos:

  • luvas de vaqueta: feitas com couro bovino, são utilizadas por funcionários que trabalham com cordas e materiais abrasivos, em locais de baixas temperaturas, etc.
  • luvas de raspa: fornecem proteção contra agentes abrasivos e escoriantes, e materiais cortantes;
  • luvas de raspa e vaqueta (mista): protegem mãos e braços contra materiais abrasivos e escoriantes, sendo mais usadas em petrolíferas e demais serviços com peças oleadas;
  • luvas de borracha nitrílica: oferecem proteção contra materiais químicos e biológicos.

EPI para proteção dos membros inferiores

Os membros inferiores incluem pernas e pés. Devem ser protegidos conforme a atividade exercida pelo trabalhador. Os principais equipamentos dessa categoria são os calçados de segurança, muito utilizados na construção civil, em serviços de logística e de limpeza.

Conheça alguns desses EPIs:

  • botinas de segurança: protegem os pés contra perfurações, quedas e impacto de materiais;
  • botas de couro com cano médio: protegem pés contra quedas, torções, umidade e escoriações;
  • botas de borracha de cano longo: protegem pés e pernas também contra produtos químicos e umidade;
  • botas de couro com cano longo: protegem tanto os pés quanto as pernas contra o ataque de animais peçonhentos, além de oferecer proteção mecânica;
  • perneira de segurança: protege as pernas contra objetos cortantes e ataque de animais peçonhentos.

Lembre-se de que, quando há o risco de queda de materiais ou produtos nos pés do trabalhador, o recomendável é utilizar botas com bico de aço.

Assim, você percebeu que existem tipos de EPI para cada atividade exercida pelo trabalhador, dependendo dos riscos a que ele está sujeito. Mas de quem é a responsabilidade de fornecer esses equipamentos? É o que veremos agora!

A responsabilidade da empresa e do trabalhador

O uso de equipamentos de segurança é regulado pela NR6, que define as responsabilidades para todos os envolvidos — fabricantes, empresas e funcionários.

Segundo a norma regulamentadora, cabe à empresa:

  • comprar e fornecer o EPI adequado a cada tipo de atividade e compatível com o risco apresentado;
  • zelar corretamente pelo armazenamento e pela manutenção dos equipamentos;
  • certificar-se de que os trabalhadores vão usar os EPIs;
  • fornecer um equipamento que tenha o Certificado de Aprovação;
  • treinar os funcionários para usarem os EPIs;
  • repor os EPIs danificados;
  • notificar o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) sobre irregularidades encontradas nos equipamentos;
  • comunicar o MTE qualquer irregularidade observada no EPI.

O trabalhador também tem responsabilidades. Entre elas:

  • utilizar corretamente o EPI fornecido;
  • contribuir para o bom armazenamento e conservação adequada do equipamento;
  • avisar ao empregador quaisquer problemas encontrados no EPI.

Fornecer aos trabalhadores os tipos de EPIs mais adequados às atividades que realizam é fundamental. Afinal, é a vida e integridade deles que estão envolvidas. Então, busque os melhores equipamentos e ponha em prática as principais medidas de proteção.

Que aprender mais sobre como manter a segurança no ambiente de trabalho e evitar acidentes? Então, assine nossa newsletter e receba mais conteúdos direto na sua caixa de entrada!

Sobre o autor

flavaccaro

Flavia é redatora do Gaveteiro.com.br

Deixar comentário.

Share This