Construção Civil Indústria Manutenção Predial

Veja os 8 EPIs obrigatórios para trabalhos em altura

Flavia Vaccaro
Escrito por Flavia Vaccaro


Por reconhecer a importância com os cuidados envolvidos nesse tipo de atividade, o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego) estipulou, em 2012, a Norma Regulamentadora nº 35 (NR-35), que define regras e os requisitos mínimos para o uso de EPI para trabalho em altura, garantindo a segurança dos profissionais do setor.imagens-ilustrativa-de-luvas-a-ser-usadas-na-cozinha-epi-em-latex-e-antitermica-mais-usada-na-cozinha-industrial

A norma considera que qualquer atividade exercida a dois metros acima do solo deve seguir as medidas estipuladas, independentemente da natureza do trabalho — seja em empresas do ramo da construção civil ou das telecomunicações, por exemplo.

A utilização de equipamentos de proteção individual (EPI) é um ponto importante de destaque da norma. Afinal, o uso das ferramentas adequadas de trabalho, principalmente quando envolvem alturas elevadas, é fundamental para a preservação da integridade física do trabalhador e para uma jornada de trabalho sem preocupações.

É por isso que, neste post, falaremos sobre os EPIs em detalhe. Leia mais e saiba tudo sobre os equipamentos necessários para trabalhos em altura!

A importância dos EPIs para trabalhos em altura

Segundo o MTE, cerca de 40% dos acidentes de trabalho dizem respeito às atividades em altura. Quanto maior é a altura, maior também é a possibilidade de acidentes.

As funções realizadas em andaimes, plataformas, escadas ou em ambientes com profundidade (subterrâneos) são as que comumente necessitam de cuidados redobrados na hora de “pôr a mão na massa”.

Somente com o uso dos equipamentos de proteção os profissionais dessas atividades terão a garantia de que poderão executar suas funções com segurança e tranquilidade, de forma a prevenir os acidentes e até mesmo de minimizar os impactos, caso uma queda ocorra.

Além de determinar que os trabalhadores utilizem os equipamentos, a NR-35 estipula, ainda, que profissionais e gestores estejam conjuntamente atentos à utilização correta dos EPIs.

Cabe ao empregador fornecer equipamentos de qualidade, enquanto seus subordinados são obrigados a utilizá-los e devem evitar avarias e estar vigilantes ao estado de conservação de cada ferramenta de trabalho, tendo em vista seu pleno funcionamento durante as tarefas diárias.

Veja no Blog do Gaveteiro os 8 EPIs obrigatórios para trabalho em altura

Para a utilização correta dos materiais, é recomendável que os trabalhadores passem por um treinamento prévio para entender as funcionalidades da ferramenta e começar a manuseá-las, para conhecer de antemão seus “macetes” antes de lidar com elas na prática.

Vale destacar que as empresas que não cumprem com essa obrigatoriedade prevista em lei estão passíveis de ser advertidas ou multadas, além de enfrentar dores de cabeça com eventuais ações trabalhistas por parte dos colaboradores.

Mais importante do que garantir o cumprimento da legislação é manter a saúde dos funcionários e um clima organizacional favorável devido à segurança no ambiente de trabalho.

EPIs obrigatórios de acordo com a NR-35

NR-35 estipula alguns equipamentos de proteção individual indispensáveis para qualquer natureza de trabalho suspenso. Para cumprir os requisitos da norma, os EPIs que devem ser usados a fim de assegurar a preservação da saúde das pessoas em altura são:

1. Trava-quedas

Conectado ao cinturão de segurança e ao cabo de aço, o trava-quedas é útil para trabalhos em altura com movimentação vertical ou horizontal, protegendo o usuário em caso de quedas, pois conta com um sistema de travamento automático. O dispositivo costuma ser usado para realizar manutenções, carga e descarga e tarefas em escadas e andaimes, por exemplo.

Características

Apresentando características parecidas com as de um cinto de segurança de carro, o trava-quedas é um tipo de presilha que trava e destrava para manter o trabalhador preso junto ao cinto de proteção.

Importância

No trabalho em altura, o trava-quedas é essencial, pois tem como principal função garantir que o profissional fique seguro mesmo em movimentos bruscos ou não programados.

Como usar

Por ser um item de segurança complementar, o trava-quedas deve sempre ser usado com o cinto de segurança e o cabo de aço.

2. Cinturão de segurança

O cinturão de segurança tipo paraquedista, em conjunto com o trava-quedas, é o equipamento de retenção de queda que fica posicionado na região dorsal do usuário, para garantir sua ancoragem, posicionamento em altura e redução de impacto na coluna.

Características

O cinturão de segurança é confeccionado em poliéster ou nylon, com fivelas ajustáveis nas pernas, na cintura e suspensórios.

Por ser semelhante ao modelo de proteção utilizado em atividades de salto em altura, acaba sendo chamado de cinto de segurança tipo paraquedista.

Importância

Com o trava-quedas, o cinto de segurança é o que evita danos maiores em situações adversas durante as atividades — por exemplo, eventuais desequilíbrios por parte do trabalhador. Desse modo, ele se torna de extrema importância, pois, de fato, pode salvar a vida do profissional.

Como usar

Para assegurar que o correto funcionamento, como dito, ele deve ser preso junto à região dorsal do trabalhador e conectado ao trava-quedas, que, por sua vez, precisa estar preso ao cabo de aço.

3. Capacete com jugular

O capacete com jugular diminui o impacto da queda na região da cabeça do usuário. Sua utilização é de extrema importância, pois é capaz de amenizar o risco de lesões no crânio e até mesmo evitar a morte.

Características

O capacete para trabalhos em altura apresenta características parecidas com outros utilizados em setores diversos. Porém, a principal diferença está na fita que passa por debaixo do queixo do usuário. Essa peculiaridade é necessária para que o equipamento não saia da cabeça do usuário durante a movimentação ou mesmo em situações climáticas adversas.

Importância

Como todo capacete, esse equipamento é essencial na proteção da cabeça. No trabalho em altura, ele garante que nenhum objeto atinja diretamente a cabeça do profissional, o que poderia causar ferimentos ou mesmo desequilíbrios.

Como usar

Sendo um equipamento para uma parte específica do corpo, não há segredo na utilização do capacete. O principal detalhe a ser observado é o estado da fita que passa debaixo do queixo, pois ela precisa estar presa nos dois lados do objeto.

4. Talabartes

Esse equipamento assegura que o trabalhador não colida com a superfície inferior em caso de queda. Tem absorvedor de impacto e faz a conexão do usuário com o equipamento no qual ele ficará preso para sustentar e limitar os movimentos em altura.

Existem três modelos que se adaptam a cada atividade:

1. Talabarte simples

Atualmente com utilização mais reduzida, esse modelo tem apenas um ponto de ancoragem, e, por isso, é recomendado para todo trabalho feito acima de 2 metros de altura.

2. Talabarte Y

Tem 3 pontos de ancoragem e é comumente utilizado em trabalhos em andaimes.

3. Talabarte de posicionamento

Funciona como um complemento para os dois modelos anteriores, proporcionando um posicionamento seguro ao trabalhador para dar liberdade para a utilização das duas mãos.

Importância

Para que o trabalhador execute corretamente a sua função, eventualmente, precisará utilizar as duas mãos simultaneamente. É nesse momento que os talabartes se tornam essenciais. Esses equipamentos permitem que o usuário se posicione com segurança em algum ponto com o apoio das pernas, se mantendo preso junto a uma estrutura resguardada.

Em outras palavras, o equipamento oferece a estabilidade fundamental para que o trabalho seja realizado com segurança.

Como usar

Como vimos, o talabarte é um EPI apresentado em diferentes modelos e com variáveis características. Nesse sentido, o modo de utilização deve respeitar as particularidades de cada tipo do equipamento.

5. Botinas de segurança

As botinas protegem os pés do trabalhador em caso de queda de objetos, perfurações ou colisão frontal. Além disso, elas o previnem de eventuais escorregões e torções.

Características

Apesar de apresentar características semelhantes a outras botinas, esse EPI para trabalho em altura se diferencia pelo material utilizado na fabricação. Para oferecer máxima proteção ao trabalhador, ele é feito de couro e conta com uma biqueira de aço.

Importância

O trabalhador desse setor está sempre exposto a perigos. Geralmente, se mantém em espaços que permitem pouca movimentação, por isso, não é tão simples notar obstáculos junto aos pés. A botina é importante justamente para evitar ferimentos ou traumas em caso de batidas ou quando ferramentas ou outros objetos caírem sobre os pés do usuário.

Como usar

Também não há grande complexidade na utilização das botinas, sendo necessário observar se o equipamento cobre toda a região dos pés e se realmente apresenta as características certas quanto aos materiais de fabricação.

6. Luvas

As luvas fornecem segurança para a manipulação dos materiais em altura. Dessa forma, asseguram que os funcionários não deixem escorregar nenhum objeto, que segurem na corda com firmeza, além de proteger suas mãos de atritos.

Características

As luvas de proteção para trabalho em altura devem ser mais resistentes do que itens semelhantes utilizados em outros setores, pois a exigência diária é muito maior. Materiais de fibras naturais e fibras sintéticas são indicados para a atividade.

Importância

Como na maioria das profissões, as mãos são os membros mais utilizados na rotina de trabalho em alturas, o que faz com que protegê-las seja algo extremamente importante. Com as luvas, o usuário diminui a chance de ferimentos em caso de batidas ou contato com agentes externos.

Além disso, é preciso considerar que, por se tratar de um ambiente de trabalho não convencional, é imperativo reforçar a segurança, visto que a ajuda pode demorar muito mais a chegar.

Como usar

As luvas devem sempre cobrir toda a extensão das mãos. E para garantir total funcionalidade, é interessante a realização de testes prévios, a fim de analisar se ferramentas e outros equipamentos não escorregam facilmente ao entrar em contato com as luvas.

7. Óculos

Essa ferramenta é útil principalmente nos trabalhos em altura em que o funcionário está em ambiente externo, com exposição a raios solares, vento e poeira. Também serve para dar conforto ao funcionário, pois “blinda” seus olhos do excesso de claridade.

Características

Os óculos de segurança apresentam características específicas de um EPI para trabalho em altura, como armação leve e alta resistência a impactos. Também é necessário que o equipamento tenha antiembaçante, evitando que a visão do usuário fique comprometida em razão do suor.

Assim como o capacete, os óculos precisam conter um cordão que os prenda junto ao profissional, permitindo a movimentação sem o risco de o equipamento se soltar do corpo.

Importância

Além dos raios solares, os óculos de segurança são importantes para assegurar que nenhum objeto estranho tenha contato direto com os olhos. Afinal, o globo ocular é uma das partes mais sensíveis do corpo humano, e, em um trabalho nas alturas, essa preocupação deve ser redobrada.

Como usar

Os óculos de segurança não são como os itens que usamos diariamente por questão de estética ou mesmo para aperfeiçoar a capacidade de enxergar. Aqui, é preciso se certificar de que o equipamento se encaixa perfeitamente na região nasal sem nenhum tipo de folga. O cordão de fixação também deve estar em boas condições de utilização.

8. Mosquetão

Fabricado em metal, esse dispositivo funciona como um conector para a ancoragem no cinto de segurança, trava-quedas, talabartes e outros.

É imprescindível que o usuário utilize o equipamento durante todo o tempo de exposição à altura na realização de suas funções, ou seja, só é permitido retirar os equipamentos quando o trabalhador estiver de volta ao nível do chão, momento em que não há mais risco de queda livre.

Características

O mosquetão é um EPI para trabalho em altura que deve ser sempre confeccionado em materiais resistentes, como aço, além de contar com mais de duas travas de segurança.

Uma das principais características desse tipo de equipamento é a força para suportar grandes pesos, passando de 50 toneladas.

Importância

Como explicado, o mosquetão tem extrema importância na rotina de trabalhos em altura, pois conecta, basicamente, todos os outros equipamentos, garantindo a verdadeira segurança para o trabalhador.

Como usar

O mosquetão deve ser fixado e travado junto ao cinto de segurança, talabartes e outros equipamentos. Para evitar quaisquer tipos de adversidades, é essencial uma verificação das travas do objeto antes de iniciar as atividades.

Embora todos os equipamentos objetivem aumentar a segurança do trabalhador, cada um tem características e funções próprias. Por isso, na hora de escolher, é importante contar com o auxílio de um especialista, a fim de adquirir os itens adequados para cada serviço.

A escolha dos equipamentos adequados

O técnico de segurança é o profissional qualificado para atestar que os equipamentos estejam devidamente certificados e que sejam adequados para a utilização pretendida. Além disso, deve-se ajustar cada ferramenta de segurança à altura e ao peso do colaborador.

É de responsabilidade do fabricante ou do fornecedor dos equipamentos dispor as informações sobre o desempenho dos EPIs e os limites de uso, tendo em vista a massa total do trabalhador e dos materiais, entre outros aspectos previstos na NR-35.

Então, no momento de adquirir os equipamentos, preze sempre por fornecedores com bom histórico no mercado e que apresentem expertise no assunto. Quando se trata de segurança, jamais coloque o preço acima da qualidade.

Enfim, essas foram as nossas dicas para você não errar na hora de adquirir EPI para trabalho em altura. Por serem objetos obrigatórios e indispensáveis para a execução dos serviços, é importante analisar as informações a garantir o melhor para a sua empresa e, principalmente, para os seus colaboradores.

Continue se aprofundando no assunto e conheça a nossa série especial sobre EPIs em altura.

Sobre o autor

Flavia Vaccaro

Flavia Vaccaro

Flavia é redatora do Gaveteiro.com.br

Deixar comentário.

Share This