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NRR e NRRsf: descubra as diferenças entre essas normas!

Escrito por flavaccaro

Quem trabalha em departamentos de segurança do trabalho, principalmente em indústrias, sabe muito bem como pode ser uma tarefa complexa fazer cumprir todas as normas que garantem a proteção da equipe.

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Por esse motivo, a adoção de equipamentos de segurança é essencial para a preservação da integridade física do trabalhador. Nesse contexto, os abafadores auriculares são importantes para a redução de riscos da saúde auditiva, já que o ouvido humano pode sofrer danos irreversíveis com o excesso de ruídos.

Neste post, você vai conhecer duas metodologias que avaliam a capacidade e qualidade desses protetores auditivos: NRR e NRRsf. Está preparado?

A história dos protetores de ruídos

No Brasil, a estrutura e proteção dos protetores auditivos para o ambiente laboral tem sido motivo de estudos sérios há mais de 30 anos, desde a publicação de Portaria nº 21 de 1970, que especificava a obrigatoriedade da utilização de equipamentos de proteção individual no ambiente de trabalho.

Foi nos anos 80 que pesquisadores da USP passaram a realizar testes com protetores auditivos, em uma câmara acusticamente isolada. No local, foi criado um equipamento capaz de produzir e medir ruídos em todas as frequências audíveis possíveis.

Com o auxílio dessa tecnologia, diversos aparelhos protetores foram elaborados e testados. Os valores de atenuação obtidos pelo método chegavam a resultados bastante significativos para tampões de inserção.

Nos últimos 10 anos, grandes avanços foram alcançados nas metodologias de avaliação e entendimento dos protetores auriculares. Até 1997, todas as normas de ensaio para esses EPIs foram regulamentados pelas normas ANSI S13.9-1974 e S12.6-1984 e ISO 4869-3.

Atualmente, os protetores auditivos são exigidos sempre que o ambiente de trabalho apresentar ruídos (ou níveis de pressão sonora) acima dos limites de tolerância especificados na Norma Brasileira nº 15, que classifica a atividade laboral como segura ou insalubre. O Ministério do Trabalho se encarrega de fiscalizar esses limites, respeitando o tempo máximo de exposição que o colaborador suportará perante eles.

Os protetores de ruídos existentes

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No mercado atual, existem centenas de modelos de protetores auriculares. No geral, eles podem ser classificados em dois grupos principais: plug (mais compacto, geralmente inserido dentro do canal auditivo) ou concha (o material do protetor cobre toda a orelha).

Esses dois protótipos se dividem em diversos subgrupos:

Protetores tipo concha

Mais conhecidos como “abafadores”, os protetores do tipo concha muitas vezes se assemelham a um headphone. Seu exterior é rígido, no entanto, seu interior é bastante macio, e proporciona conforto aliado a uma excelente selagem na hora do uso para todos os tipos de orelhas, e por isso é usado em atividades que demandam muito movimento.

Sua utilização também é indicada para locais com alto nível de partículas no ar (poeira, líquidos, fumaça, entre outros), mas é preciso ter atenção, já que esses dispositivos se tornam desconfortáveis ao serem usados em ambientes com temperaturas muito elevadas. Por outro lado, são apropriados para ambientes mais frios ou frescos.

Protetores tipo arco

Os protetores auditivos que se assemelham a um arco têm uma haste leve, que conecta dois pares de espuma feitos para vedar suavemente a entrada do canal auditivo. No entanto, seu suporte dispensa a necessidade de inserção do dispositivo dentro do ouvido.

Esse modelo é conveniente para funcionários que usam e retiram seus protetores esporadicamente durante o dia, já que podem ser apoiados sobre o corpo enquanto não estão sendo usados.

Protetores moldados

Bastante encontrado em drogarias e aviões, o modelo maleável é feito com uma espuma que se ajusta ao formato do canal auditivo de seu usuário. Por serem descartáveis, oferecem mais praticidade e reduzem os problemas causados por má higienização.

Esses modelos não absorvem umidade, sendo ideais para uso em locais com temperatura instável.

Protetores pré-moldados

Os protetores pré-moldados produzidos com silicone grau farmacêutico também têm formato anatômico, mas, ao contrário dos moldados, não são descartáveis.

Por serem mais compactos, não afetam o desempenho do trabalhador por conta da temperatura do ambiente. Seu uso é ideal para locais abertos, como campos de obras.

Embora todos os tipos de protetores tenham indicações, os engenheiros e técnicos de segurança do trabalho são os responsáveis por avaliar e apontar qual deles se adequa melhor ao ambiente e à realidade de cada negócio.

Cabe a esses profissionais mensurar o tipo de EPI adequado, de acordo com o nível de ruído do local, bem como seus efeitos sobre os funcionários. Esses valores são avaliados em decibéis (dB). A eficiência dos protetores, por sua vez, é descrita por meio dos índices NRR e NRRsf.

Diferenças entre NRR e NRRsf

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Como você já sabe, os índices NRR e NRRsf são usados para mensurar a capacidade do abafador de bloquear ruídos nocivos para o empregado em seu ambiente de trabalho.

De acordo com a metodologia NRR, as avaliações dos EPIs são obtidas em laboratório, em condições controladas. Nela, as pessoas submetidas ao teste recebem ajuda especializada do experimentador no momento da colocação dos dispositivos.

O NRRsf, por outro lado, solicita que pessoas inexperientes façam o uso dos protetores com base nas especificações do fabricante, apenas. Além disso, as condições do ensaio não são controladas, como acontece com o NRR. Isso significa que os ruídos provenientes da localização (como o barulho do vento, máquinas, chuva e outras variantes) podem afetar a pontuação do NRRsf.

Com isso, na prática, os resultados dessas avaliações se aproximariam mais da atenuação real obtida pelos usuários que utilizarem seus dispositivos. Já que o NRR não leva as interferências do contexto laboral em conta na hora de calcular o resultado, ele é um método em desuso, sendo pouco fiel à realidade.

Ao longo do tempo, foi percebido que, para calculá-lo, era preciso adotar um fator de correção (como o da NIOSH), para que a aproximação do resultado seja mais realista:

NP (nível protegido em dBC) = NPS (nível de pressão sonora local em dBC) – [NRR x fator correção NIOSH]

Desde 2003, foi estabelecido pela legislação brasileira que os ensaios para obtenção do Certificado de Aprovação (CA) para os protetores de ruídos devem ser regulamentados pela norma ANSI.S.12.6/1997 (Método do Ouvido Real — Colocação pelo Ouvinte). Dessa forma, as atenuações dos protetores auditivos ensaiados devem ser medidas com o uso do NRRsf.

Sendo assim, o ruído percebido por um trabalhador com o uso do EPI auditivo deve ser calculado da seguinte maneira:

NP (ruído na orelha protegida em dBC) = NPS (ruído ambiente em dBC) – NRRsf

Quando o ambiente laboral apresenta a predominância de uma faixa de interferência sonora (ruídos baixos, por exemplo), o NRRsf pode não ser o melhor método para avaliar o protetor auditivo. Esse índice representa uma atenuação “média” a ser subtraída de um ruído padrão.

Para esse tipo de situação, recomenda-se verificar a performance de cada EPI em frequências distintas.

Além dos indicadores NRR e NRRsf, o departamento de segurança do trabalho tem que providenciar a devida capacitação dos funcionários, para que sejam capazes de fazer a utilização de seus EPIs corretamente em seu cotidiano. Mais do que isso, é preciso conscientizá-los sobre a importância desses equipamentos.

Agora que você já sabe tudo sobre protetores auditivos, aproveite para expandir seu conhecimento e aprender mais sobre respiradores e seu tipos em nosso blog!

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Sobre o autor

flavaccaro

Flavia é redatora do Gaveteiro.com.br

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